Geração de energia: Usinas hidrelétricas

Por Unificado • 25 de janeiro de 2019

O aquecimento global, esse fenômeno tão citado por ambientalistas e os meios de comunicação, há anos começou a mostrar seus efeitos com vigor: secas mais prolongadas, furacões mais frequentes e agressivos, ondas de calor mais intensas e desequilíbrio dos ecossistemas. De acordo com um relatório de 2013 publicado pelo Grupo Intergovernamental sobre Mudança Climática “é extremamente provável que a influência humana tem sido a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século XX”.
Em 1992 foi estabelecida a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática com 195 países membros. Desde 1995, sua mais alta autoridade é a Conferência das Partes e seu objetivo é, entre outros, permitir o desenvolvimento econômico de forma sustentável para o planeta.
As obrigações decorrentes dos acordos firmados pelos países-membros exigem a adoção de medidas concretas para conter o aquecimento global. Um dos fatores ligados à deterioração ambiental e ao desenvolvimento econômico é a produção de energia.
A exigência é clara: cada vez mais é necessária energia limpa e econômica. Enquanto em 2013 a eletricidade gerada por carvão atingiu 41,1% da produção mundial, as energias renováveis superaram o gás natural para alcançar uma quota de 22%.
Entre as energias mais verdes e mais rentáveis está a hidrelétrica que, na América Latina, é a principal fonte de eletricidade.

América Latina e energia hidrelétrica
Desde o final do século XIX, o desenvolvimento da região está ligado à produção hidrelétrica. Começando com a indústria de mineração no final daquele século, seguido pelos setores industrial e doméstico no século XX, a produção de energia cresceu gradualmente até sua explosão nas décadas de 70 e 80. De 19 giga watts (GW) produzidos em 1970 cresceu quase cinco vezes chegando a 93 GW em duas décadas. Outras situações do contexto da região, como a crise do petróleo e da exploração do solo da região, impulsionaram este desenvolvimento fazendo o Brasil se tornar a quarta potência mundial com 46 GW de capacidade hidrelétrica instalada.
A partir de 1990, e nas duas décadas seguintes, a geração hidrelétrica continuou a crescer em termos absolutos, mas em termos relativos a cada país, a geração térmica ganhou terreno. Ou seja, a participação hidrelétrica diminuiu em todos os países da América Latina e do Caribe (LAC), exceto no Paraguai, Venezuela e Suriname.
No entanto, as projeções do BID para 2030 anunciam que o consumo de eletricidade aumentará mais de 70% na região e a matriz hidroelétrica aumentará a capacidade instalada até chegar a 230 GW nesse ano.
No entanto, as projeções não refletem totalmente a força do setor pois, em 2015, 52% da energia elétrica gerada na LAC foi devido a energia hidrelétrica, em comparação com 16% da média mundial. Outro valor que coloca a produção deste tipo de energia no contexto internacional é que, em 2015, a LAC contava com 15% da capacidade instalada no mundo, com apenas 8% da população do planeta.

Mudança climática e incerteza
A energia hidrelétrica é uma fonte renovável de energia a um custo competitivo. É baseada em tecnologias maduras — a primeira usina hidrelétrica do mundo foi instalada em 1880 — e de alta eficiência, além disso, a operação de cada usina pode ser mantida por mais de cinco décadas. E, embora o investimento inicial seja caro, tem um baixo custo operacional.
Com tudo isso a construção destes projetos implica riscos inerentes, alguns de caráter geológico e outros relacionados a obras civis. Outro fator importante é o ambiental. Como esta fonte está intimamente relacionada com os ciclos da água, alterações climáticas e energia hidrelétrica mantém um relacionamento circular: a hidroeletricidade pode ser afetada pelo aquecimento global, mas ao mesmo tempo pode ajudar a mitigá-lo.
No entanto, é esperado que o setor de hidroeletricidade fosse impactado ao se intensificar o ciclo hídrico devido à frequência de eventos climáticos extremos, como inundações e secas. Os gases de efeito estufa, produto de fontes de energia não limpas, causam importantes mudanças climáticas. Das emissões de tais gases, 70% vêm da queima de combustíveis fósseis para a eletricidade, indústria e transporte, por isso que está se diversificando a matriz energética. Da mesma forma, o aquecimento global modificará a demanda por energia enquanto altera o seu fornecimento.
Em termos globais, o impacto hidrelétrico não se vê afetado significativamente e na LAC os efeitos serão variáveis dependendo de cada país. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, por sua sigla em inglês) dentro de um cenário severo, até 2040 o recurso hídrico aumentaria no Brasil, Venezuela e Colômbia, e diminuiria no Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Esses dados devem ser cruzados com o potencial hidrelétrico por região, que na LAC é de 677 GW.[VII] Destes, apenas 171 GW estão instalados, representando apenas 25% em média. O Brasil é o caso mais destacado, pois desenvolveu mais de 35% de seu potencial com 91.6 GW instalados. dos seus 260 GW potenciais. Deve-se notar que três países, Uruguai, Panamá e Paraguai, desenvolveram mais de 50% de seu potencial, enquanto, no outro extremo, Bolívia, Peru e Guiana exploraram menos de 6% de seu potencial hidrelétrico.
As estimativas do BID indicam um cenário em que a produção de energia hidrelétrica atingirá 250 GW em 2030.

Reabilitação Hidrelétrica
Na região, o auge da instalação hidrelétrica foi registrado entre 1970 e 1990, portanto, um grande número de usinas atingiu sua vida útil ou está perto de alcançá-la. A expiração do equipamento eletromecânico é calculada em 40 anos; no caso de obras civis é maior, mas em ambos os casos pode variar de acordo com a manutenção, a sedimentação e o local em que elas estão localizadas.
O especialista Arturo Alarcón ressalta que, nos países membros do BID, 73 GW de potência instalada em usinas superiores a 10 MW têm mais de 20 anos de operação e, no caso do Brasil, 50% de suas usinas já completaram as três décadas.
A reabilitação parece um dos assuntos a serem realizados em cada central. Seu principal objetivo é devolver às instalações as suas condições iniciais quando se conclui que os custos operacionais aumentaram substancialmente. Com a reabilitação é possível aumentar alguns pontos percentuais na eficiência da produção e, em longo prazo, prolongar a vida útil das centrais, em geral, por várias décadas.

Sinistralidade das centrais hidrelétricas
O parque das centrais hidrelétricas registrará um aumento de cerca de 3 GW por ano, além do trabalho de reabilitação que já requerem as existentes. Tudo isso implica um risco multifatorial que requer cálculos.
Um estudo realizado entre 2009 e 2015 sobre sinistros na montagem de usinas hidrelétricas mostrou que o cenário de danos mais comum foi em termos de Perda de Controle ou Segurança (32% frequência), seguido pela Circulação de Veículos (27%). A amostra foi realizada a partir de 59 sinistros registrados em nove obras distribuídas no Chile, Panamá, Peru, Colômbia e Espanha.
Dos 59 sinistros, classificados por origem de falha, o item com maior percentual de danos foi em equipamentos eletromecânicos (33%), seguido por túneis (30%) e em terceiro lugar por avenidas (inundações, 16%). As consequências materiais mais relevantes dos acidentes dentro da obra foram a quebra de equipamentos eletromecânicos (76% do total) e danos na construção (24%).

Certeza para investir
As consequências que levam a uma falha no equipamento, danos nas obras e os efeitos de lucro cessante podem ser mitigados com o apoio de uma apólice.
Matías Bolla Agrelo, Regional Power Generation Manager da Chubb América Latina, menciona que “em todas as centrais, de uma forma ou de outra, os clientes têm credores que sempre exigem dentro de suas condições a contratação de um seguro, o que é praticamente obrigatório para todas as empresas do setor hidrelétrico contar com uma apólice”. Esta urgência faz sentido ao considerar o alto valor dos projetos hidrelétricos e o grande investimento que exigem.
No caso das centrais hidrelétricas, as coberturas são baseadas em um padrão que é a clássica apólice de todos os riscos, que cobrem Danos materiais, Quebra de máquinas e Perda de benefícios. No entanto, também é necessário adquirir outros tipos de apólices, por exemplo, de Responsabilidade Civil.
Estas instalações geralmente são construídas em locais remotos dada a geografia necessária para este tipo de desenvolvimento. Condições geográficas são necessárias de acordo com o projeto, que geralmente estão longe das grandes cidades. Em muitos casos, há povoados que precisam ser deslocados, a população é realocada e essa área fica submersa quando o reservatório é formado, diz o especialista da Chubb.
As apólices cobrem os danos materiais e sua subsequente perda de benefícios, sobre os ativos segurados das usinas, tanto de obras civis quanto maquinários, bem como danos causados por quebra de maquinários, danos por fenômenos naturais, incluindo o rompimento da barragem. Este último pode causar danos e inundações devido ao alto fluxo de água descarregada. Esses danos não são cobertos pela apólice operacional, mas são cobertos por uma apólice de Responsabilidade Civil.
Para segurar uma usina hidrelétrica é necessário que uma equipe de engenheiros forneça serviços especialmente para essa linha de negócios e faça as revisões necessárias. Uma vez que, para emitir uma apólice são necessárias muitas informações sobra a usina a ser segurada, como os programas de manutenção, os métodos operacionais da usina e os registros, entre outras coisas, menciona o executivo da Chubb.[XIV]
Em uma área onde as construções hidrelétricas estão se aproximando de seu período de renovação, a certeza é mais necessária do que nunca.

Fonte: Chubb Assegurados – 25-Jan-2019.

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