Lucros Cessantes

Por Unificado • 22 de maio de 2019

Um sinistro tem em si dois elementos principais: danos diretos e danos indiretos – ambos com implicações financeiras. O primeiro afeta a perda do bem; o segundo, o comprometimento da geração de receita em razão da paralisação no negócio. Sendo que esse último, na maioria das vezes, é a parte invisível na contratação de um seguro, tornando-se um risco perigosamente ignorado, fazendo uma empresa a tomar o seu próprio risco, papel esse que não lhe cabe.

Uma boa análise de perdas jamais pode desprezar as consequências da paralisação de um negócio. Muitas vezes, gastamos tempo tentando determinar o valor do dano material e passamos muito longe de discutir as perdas relativas aos lucros cessantes. Chegamos a negligenciá-las, esquecendo-nos de que quando o negócio para em função de um sinistro, as contas continuam e a margem líquida poderá cair ou até ser interrompida.

Em nossa avaliação, geralmente os gestores de risco desconhecem o mecanismo de acionamento da cobertura de Lucros Cessantes em uma apólice de seguros; ficando claro, assim, que o erro de contratação inicia-se já na origem. O básico para a construção da cobertura requer alguns componentes como: conhecimento elementar do negócio do cliente, compreensão básica de análise contábil e clareza quanto aos fundamentos do contrato de seguro. Essas coisas somadas a um bom exercício de imaginação de acidentes resultarão em modelos adequados de transferência desse risco. Podemos, inclusive, nos surpreender com a conclusão de que a cobertura de Lucros Cessantes não é recomendada para determinados tipos de negócio e que há dinheiro sendo desperdiçado no programa de seguros na compra dessa ou daquela cobertura.

Em ambientes empresariais altamente competitivos como temos na atualidade, a tolerância a erros é cada vez menor. O risco de um acidente gerar perdas financeiras capazes de comprometer, ou até mesmo extinguir um negócio em razão da insuficiência dos seguros, pode estar à nossa porta, quando deveria estar distante. Certamente, existe complexidade para a execução de uma boa análise de perdas. Estamos falando das garantias para continuidade do negócio, essa é a razão pela qual deve ser exigida alta qualidade dos gestores de risco. Riscos com potencial de gerar abalo econômico-financeiro a um negócio como é o caso dos lucros cessantes, não podem ser aceitos em hipótese alguma, precisam ser transferidos. Sendo assim, a competência desses profissionais designados como gestores de risco deve ser requerida, testada e atualizada.

Autor Charles de Barros Silva

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